DOIS MESES SEM FUMAR

Dia 18 de Novembro: dois meses desde o meu Quit Day.
O facto de me ter esquecido da data e de ter passado o dia sem pensar em fumar talvez queira dizer qualquer coisa: começo a esquecer o facto de ter fumado durante quase dez anos?
É verdade que ainda penso em fumar. São acontecimentos cada vez mais raros, ligados a momentos de stress (claro) ou de aborrecimento (duplamente claro).
Por vezes, há uma parte do cérebro que envia a perigosa mensagem "Fuma apenas um. Que mal poderá haver em fumar apenas um cigarro? Não será um cigarro que te fará voltar a fumar todos os dias..."
Fumar "apenas um cigarro" é algo que não existe.
Reconheço a armadilha e espero que essa vontade desapareça.
E, espanto!, a verdade é que desaparece.
Recordo que deixei de fumar sem qualquer substituto químico, num processo ao qual os americanos chamam "cold turkey" – um método que pode ser um "peru (demasiado) frio" para alguns – e que escolhi porque nunca me agradou a ideia de deixar o tabaco… por uma outra dependência.
Para mim, fumar era acima de tudo um ritual.
Os rituais alteram-se.