Fartei-me de fumar

Fartei-me de fumar… e de pagar ao Estado pelo favor de me deixar acender um cigarrito na via pública.
Mais de 80% do preço de cada maço corresponde a impostos??? Vão roubar para a estrada! Ah, é verdade: também lá estão…
Já agora: esse dinheiro não é para gastar na prevenção do tabagismo? Nesse caso, onde estão as campanhas? Mesmo aquelas de péssimo gosto… ou será que, com a nova legislação, o Estado parte directamente para a proibição, pura e dura, enquanto continua a embolsar os trocados que os fumadores colocam todos os dias nas máquinas… esperando fazer mais algum com as coimas aplicadas aos incumpridores?
Estão a ver por que me fartei de fumar?
Também me fartei de ter esta muleta, porcariazinha fumegante onde me refugio quando o aborrecimento se instala, porta de saída para a ansiedade cujas causas não me apetece enfrentar, espécie de condicionamento pavloviano, auto-imposto e, ainda por cima, malcheiroso.
É o cigarro do adiamento (das palavras que pedem para ser escritas, dos traços que a tela aguarda), como adiado foi o seu abandono, empurrado para um tempo que, afinal, é hoje.
Mark Twain said, "Quitting smoking is easy. I've done it a thousand times."
Não, não é nada fácil, mas… fartei-me! Por isso, pode ser que desta vez seja… definitivo (private joke tabagista muito datada).
Aguardemos pelos próximos capítulos…